Esperanza: novos rumos com o álbum "Z". Confira a entrevista | The Music Journal Brazil

Esperanza: novos rumos com o álbum “Z”. Confira a entrevista

5 de abril de 2017
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Agregando importantes elementos da música popular brasileira, a banda Esperanza lançou neste mês o álbum Z. O novo trabalho, assinado pelo produtor Alexandre Kassin está disponível em todas as plataformas digitais.

Em entrevista, o vocalista e guitarrista Artur Roman disse sobre a inspiração pelo título do novo disco, a nova fase e suas influências:

Marcelo de Assis – Qual foi a inspiração para o nome do novo álbum?

Artur: “O nome Esperanza  tem o “z” muito presente e, além disso, tem uma estética bem legal: é uma formação com três traços como se fosse um “3” em numero romano (III) e como esse é o terceiro álbum e somos um trio, achamos legal essa historia”, explicou.

Marcelo de Assis – Vocês eram integrantes do Sabonetes e nesta nova formação, porque adotaram o nome de Esperanza?

Artur: A banda começou em 2004 e muita coisa mudou na vida, nas influências e quando estávamos lançando o segundo disco, o Esperanza. Resolvemos marcar todas essas mudanças que estávamos tendo na vida com a mudança do nome também e foi muito legal porque era algo que nos deixou mais confortável, mais a vontade. Eu tive um sonho e acordei com o nome Esperanza batendo muito forte na minha cabeça. Não me lembro do sonho, mas foi bem intenso. Aí fui pesquisar sobre este nome e vi que existia um romance de Jack Kerouac (1922-1969). Não é bem um romance, é uma novela. O livro é bem pequeno e você consegue ler em três horas. A história conta sobre um alterego do próprio Jack que se apaixona por uma índia africana e o nome dela é Esperanza. Fala sobre uma relação conturbada, mas que e muito bonita, virou o nome de uma música do disco que acabou virando o nome do disco e, em seguida, acabou virando o nome da banda.

Marcelo de Assis – Como nasceu este disco?

Artur: Tínhamos acabado de lançar o segundo disco independente e feito a turnê de lançamento, então a Sony Music entrou em contato conosco para relançar esse disco. Assinamos com eles, gostamos muito de toda a equipe, são muito amigos nossos e temos uma relação há muito tempo. Só que nesse intervalo entre assinar e relançar o disco nós começamos a compor muito e marcamos uma reunião com o Bruno Baptista que é diretor artístico e mostramos algumas dessas canções novas, voz e violão apenas. Tínhamos apenas os esboços das músicas e ele adorou! Disse a nós que não relançariam e que gravaria um disco de inéditas. Aí gostamos muito da ideia e começou todo este processo. Escolhemos o (Alexandre) Kassin para produzir de novo, (a banda já havia trabalhado com eles anteriormente) e ele topou! Entramos no estúdio com trinta musicas, ou mais, só voz e violão e foi muito maluco porque nunca havíamos tido uma experiência como esta. O segundo disco foi gravado ao vivo, pois estávamos muito ensaiados. O Kassin é um cara que da uma liberdade artística que nos deixa muito a vontade para experimentar e o clima da gravação foi muito leve e acabou transparecendo muito no disco, saindo muito leve, muito alegre, positivo.

Marcelo de Assis – Nas canções Adeus Não e Batimento verificamos elementos bem significativos de gêneros musicais que foram muito mais ovacionados no passado do que hoje em dia. Isso é uma forma de resgatar essa sonoridade para os dias de hoje para que ela seja apresentada a um publico mais jovem?

Artur: Na verdade eu acho que nós acabamos encarando este disco como uma homenagem a musica popular brasileira que tanto nos influenciou. Escutamos muito a Jovem Guarda, Tropicália, Clube da Esquina ate chegar aos rock dos anos 80. É meio que uma prestação de contas á música brasileira que foi tão importante para a nossa formação. É algo que nos inspirou e foi referência, mas acho que é mais uma homenagem do que qualquer outra coisa. Queríamos fazer isso, mostrar que a nossa música é incrível e como é difícil você se propor a compor em português depois de tantas pessoas terem  feito coisas importantes e topamos esse desafio de soar como musica brasileira. Se a gente conseguiu são vocês que irão dizer…

Marcelo de Assis – Como tem sido a receptividade do público com o trabalho de vocês?

Artur: Está sendo muito legal, muito surpreendente. Melhor do que a gente esperava, por que você sai do estúdio quase que bitolado. Até você conseguir se distanciar para ouvir o disco como algo que não seja do seu mundo, é difícil. Lançar o disco e saber que as pessoas estão ouvindo e gostando é o nosso objetivo.

Marcelo de Assis – E os planos futuros, shows …?

Estamos fechando a agenda. Fizemos três shows com o disco novo e esta sendo incrível. Na época dos Sabonetes nós rodamos o Brasil inteiro. Era um show muito pulsante, pra frente e dançante. Esperanza é mais introspectivo e o show tornou-se mais introspectivo. Estamos retomando a energia do primeiro disco e os próximos shows serão bem dançantes e bem pulsantes.

Marcelo de Assis – Como vocês analisam o mercado musical nos dias de hoje com tantas mudanças tecnológicas?

Artur: É difícil você prever alguma coisa ao mesmo tempo em que as coisas evoluem tanto… Hoje em dia você escuta o disco por que ele está na rede ao mesmo tempo você tem o reavivamento da indústria do vinil. Então é difícil definir alguma coisa, por que ao mesmo tempo em que você evolui por um lado, você resgata do outro. Temos que nos adaptar a isso. Hoje em dia se você quiser lançar seu disco, acontece. Tem gente que enxerga esse tempo com pessimismo e eu acho que não agrega em nada. É o tempo que estamos vivendo. Você tem que entrar no fluxo.

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